AL é o estado que apresenta mais riscos para jovens com idade de 12 a 19

Entre as capitais, Maceió fica em segundo lugar; Fortaleza lidera com 9,92 assassinatos para 100 mil habitantes
Alagoas é o estado com maior risco de morte violenta para os adolescentes com idade entre 12 e 19 anos. O índice de jovens assassinados antes de completarem o 19º aniversário é de 8,82 para 100 mil habitantes, o maior índice do país.
Os dados – divulgados esta semana – foram levantados pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), pelo Fundo das nações Unidas para a Infância (Unicef), Observatório de Favelas e Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV/UERJ).
Entre as capitais, Maceió perdeu apenas para Fortaleza, com um índice de 9,37, enquanto a capital do Ceará apresenta o índice de 9,92 assassinatos para 100 mil habitantes.
Os dados são referentes ao ano de 2012.

“Esse resultado não é nenhum novidade. Desde 1992 que Alagoas só vem crescendo nas estatísticas relacionadas à violência. É uma crise sistêmica. Nosso estado mantém uma cultura de violência, onde tudo se resolve ‘na bala’ e a juventude acaba sendo a parte mais vulnerável, principalmente por conta de questões sociais”, opina o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB/AL, Daniel Nunes.

Para Daniel, o enfoque de combate a essas mortes tem sido insuficiente em Alagoas.
“Falta tropa na Polícia Militar para fazer esse combate e por outro lado a investigação dos crimes também é deficiente. Poucos inquéritos relacionados a homicídios são elucidados. Além de todos esses fatores ainda existe a saturação do sistema prisional. Como podemos punir criminosos se não tem vaga para todo mundo?”, questiona.
Daniel Nunes acredita que o estado ainda está longe de ter as condições ideais para que os jovens vivam longe da vulnerabilidade.

“Existem questões sociais ligadas ao resultado dessas pesquisas. Esses jovens mortos de forma violenta são em sua maioria negros e pobres, sem acesso a educação de qualidade, sem oportunidade de emprego, nem cultura ou lazer”.
O presidente da Comissão dos Direitos Humanos acredita que Alagoas ainda está longe de sair dos rankings em pesquisas relacionadas à violência.

“Pelo menos por enquanto não vejo uma saída. O assunto tem que ser muito trabalhado ainda para que se encontre uma saída para essa crise. É possível perceber que nos estados onde houve uma diminuição dos índices de violência, se trabalha com o pacto pela vida e não enfrentamento com a ‘bandidagem’. É preciso que haja mais aproximação com a sociedade e não ficarmos apenas com a política do armamento. Está havendo um grande retrocesso em Alagoas”.

Daniel concluiu a entrevista dizendo que ainda não tem como analisar o novo governo.
“Ainda estou esperando pelas ações do novo governo. No momento não tenho como avaliar. No geral, Alagoas está perdendo a guerra para o genocídio da juventude”.

‘Uso de drogas é desculpa para não investigar crimes de homicídio’

“Meu filho foi morto aos 16 anos. Era branco e estudava em escola particular. Isso aconteceu em 2012 e até hoje eu não sei se o caso foi solucionado. O que me disseram é que foram cobrar uma dívida do amigo dele, que era negro, mas não sei dizer das condições sociais. Desde então iniciei uma luta contra a morte da juventude negra, porque meu filho é minoria nas estatísticas”.

O relato é da educadora Maria José, de 48 anos. Ela é uma das tantas mães alagoanas que perdem seus filhos ainda adolescentes para a violência.
“Na época me perguntaram se meu filho usava drogas, mas eu não soube responder. Mas mesmo se usasse, isso é motivo para deixar o crime impune? O grande problema do poder público é usar a droga como desculpa para não investigar os crimes de homicídio no estado. A própria sociedade alimenta esse pensamento, que se tornou tão banal e é tão citado nesses programas de jornalismo sensacionalistas”, opina.

Maria José acredita que a violência está diretamente relacionada ao preconceito racial e de classe.
“A questão do genocídio da juventude em Alagoas é uma questão racial. É o extermínio do negro pobre”.

A educadora conta que no enterro do seu filho adolescente, ela perdoou os seus assassinos.
“Mas isso não significa que não quero que eles sejam julgados. Eu não sei quem eles são, mas não acho que devam ter o mesmo fim que deram ao meu filho. Eles precisam ter uma oportunidade, mas as penitenciárias não educam ninguém. O poder público precisa investir em educação, que é a base de toda a formação de uma pessoa. Precisa investir em cultura e esporte, dar oportunidades para que os jovens tenham qualidade de vida”.

Maria José aponta ainda as mortes de jovens por policiais como um problema a ser debatido.
“A polícia mata muitos jovens negros, pobres da periferia. É preciso que haja uma investigação maior em relação a esses casos para se distinguir os maus dos bons policiais”.

OS PAIS

A educadora conta que uma de suas lutas é levar para a sociedade e para o poder público a importância de se dar assistência para a mãe e o pai dos adolescentes vítimas da violência.
“É a parte que mais se fragiliza. Eu fiquei em depressão por um tempo e por isso não consegui sequer acompanhar as investigações do caso do meu filho. O poder público precisa dar uma assistência para esses pais, um acompanhamento psicológico”.

Por: Tribuna Hoje // Thayanne Magalhães 

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