Professores decidem manter greve no estado de SP e fazem passeata

Os professores da rede estadual decidiram em assembleia nesta sexta-feira (27) manter a greve da categoria que começou na segunda-feira (16).
Após votarem pela continuidade do movimento, os professores seguiram em caminhada desde o Masp até a Praça da República, no Centro.

De acordo com a Polícia Militar, por volta das 16h20, dois mil manifestantes estavam na Avenida Paulista. Os grevistas dizem que 60 mil participam do ato.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) quer reajuste de 75,33%. O governo diz que deu aumentos acumulados de 45% nos últimos quatro anos. A Secretaria de Estado da Educação (SES) diz que vai concender 10,5% de reajuste para professores bem posicionados em uma prova.
Os grevistas afirmam que o governo ainda não abriu negociações salariais, apesar de quatro pedidos de audiência. Além disso, o sindicato alega que os 10,5% de aumento só vai valer para apenas 10 mil professores que se saíram bem na prova, ignorando outros 220 mil profissionais da rede.
Professores em greve fazem passeata na Avenida Paulista, em São Paulo. Eles reivindicam reajuste salarial e fazem assembléia para definir os rumos da categoria (Foto: Cris Faga/Fox Press Photo/Estadão Conteúdo)Professores em greve fazem passeata na Avenida Paulista, em São Paulo. Eles reivindicam reajuste salarial e fazem assembléia para definir os rumos da categoria (Foto: Cris Faga/Fox Press Photo/Estadão Conteúdo)
Abrangência da greve
A Secretaria de Estado da Educação (SES) diz que a adesão ao movimento é de 2,5%. O sindicato diz que verificou que 59% da categoria aderiu à greve. Em meio à divergência entre governo e sindicato sobre o alcance da greve, e se há ou não greve, jornalistas do G1 visitaram na manhã de quinta 19 escolas da capital. O resultado: 2 estavam sem aula, 12 eram parcialmente afetadas e 5 tinham aulas normais.

Os professores afirmam que ainda não conseguiu abrir negociações com o governo estadual. Entre as reivindicações, os professores cobram aumento de 75,33% para equiparação salarial com as demais categorias com formação de nível superior,  com o objetivo de alcançar o piso do Departamento Intersindical de Estatística para Estudos Socioeconômicos (DIEESE), com jornada de 20 horas semanais de trabalho. Os professores protestam ainda contra fechamento de classes e contra salas superlotadas.

O governo defende que houve valorização da categoria. "Nos últimos quatro anos houve um aumento acumulativo de 45% o que elevou o piso salarial paulista ao patamar 26% maior do que o nacional. Os professores ainda podem conquistar o reajuste salarial de 10,5% por meio da valorização pelo mérito ou por prática pedagógica e de 5% por meio de qualificações adquiridas durante a carreira", apontou a secretaria em nota.

Ainda de acordo com a pasta, "mensalmente são R$ 700 milhões empenhados nos salários dos professores, uma média de R$ 8 bilhões anualmente".
Segundo a PM, cerca de 500 professores se reúnem no vão do Masp em uma manifestação (Foto: Ronet Domingos/ G1)Segundo a PM, cerca de 500 professores se reúnem no vão do Masp em uma manifestação (Foto: Ronet Domingos/ G1)

Apeosp contesta política de reajuste
A presidente da Apeosp, Maria Izabel Azevedo Noronha, afirma que os 45% acumulados nos últimos quatro anos (2011 – 13,8%, 2012 – 10,2 %, 2013 – 8% e 2014 – 7%) não representa recomposição das perdas salariais. "Uma parte foi incorporação de gratificações. E outra parte foi 20% de dinheiro novo na categoria. Não sei que conta o governador está fazendo", afirma a presidente da Apeosp.

"Eu tenho que discutir com ele não o que foi, mas o que vai ser.  Porque está apontado para nós 0% de reajuste. Eu quero saber do governador quanto é que ele oferece", disse.
Maria Izabel relativiza a informação da Secretaria de que o reajuste de 45% acumulado em quatro anos faz com que o salário dos professores paulistas seja 26% maior que o piso nacional.

"Quando o piso salarial profissional nacional foi instituído (em lei federal de 2008), a diferença entre o piso e o nosso salário era de 59%", explicou. "Do jeito que ele [Alckmin] entende carreira, que é só por promoção de mérito, isso não está ocorrendo."

A presidente da Apeosp também rebate a afirmação de aumento de 10,5% por conta de mérito e 5% por evolução na carreira.

"Aumento de 10,5% foi só pra 10 mil, mas 19 mil passaram na prova. De acordo com um critério que a gente não sabe, só 10 mil receberam 10,5%. Na rede, nós temos 230 mil. O que vão fazer os 220 mil que ficaram sem reajuste nenhum?", afirma Maria Izabel.

Sobre os 5% por meio de qualificações adquiridas durante a carreira, ela diz que elas dependem do tempo de serviço e não chegam a "2%, 3% por ano".
Por: G1 - SP

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