Estudantes reclamam da falta de pagamento de bolsas na UFAL

Professores reunidos na assembleia em que decidiram paralisar atividades por tempo indeterminado
Foto: Reprodução
Estudantes da UFAL Arapiraca que recebem bolsas da instituição reclamam que não receberam os benefícios desde o mês de abril.

O pagamento estava previsto, segundo os alunos, para o último dia 08, porém até essa quarta-feira (10) o dinheiro ainda não havia sido depositado. A UFAL oferece bolsas de auxílio-moradia, auxílio transporte e auxílio alimentação para quem comprovar necessidade. A universidade ainda oferece bolsas de pesquisa.

“Ganho auxílio moradia e como moro bem longe da UFAL estou impossibilitada de ir pra a universidade, por estar sem dinheiro pra pagar passagem de ônibus. É uma situação muito humilhante”, disse uma estudante.


Ufal enfrenta segunda greve na década

Na última década, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) passou por duas greves. A de 2012 durou cerca de quatro meses, prejudicando o calendário acadêmico da época. A mais recente, foi deflagrada na quinta-feira 28, após professores decidirem em assembleia pela paralisação das atividades. Mais de 30 mil estudantes da instituição, entre cursos presenciais e de Educação a Distância, estão sem aula.A greve é nacional e será por tempo indeterminado. Os grevistas reivindicam a reestruturação de carreira, reposição salarial de 27% e  a garantia de autonomia para as universidades.

Além disso, eles reclamam da péssima condição de trabalho e a falta de estrutura física dos campi. O presidente da Associação dos Docentes da Ufal (Adufal), Márcio Barbosa, relembrou que na greve de 2012, o governo federal apresentou várias tabelas, mas que na prática resultaram no aprofundamento da desestruturação da carreira e por isso, o sindicato nacional não assinou o acordo proposto.

Um dos pontos que favoreceu pela greve foi o encontro da sexta-feira passada, 22, entre o Sindicato Nacional das Instituições de Ensino Superior (Andes/SN) e representantes da classe nacional com técnicos do Ministério da Educação (MEC). Na ocasião, o ministro Luiz Cláudio Costa afirmou que o acordo firmado com a categoria em  abril de 2014 sobre os conceitos da carreira não é válido, já que nenhum secretário do MEC pode assinar acordo sem a aprovação do resto do ministério.

Como não houve acordo entre as partes, a categoria optou pela greve. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, Paulo Rizzo, a crise das universidades está mais profunda. Com o anúncio do corte de R$ 9,43 bilhões no Orçamento do ministério em 2015, o presidente do sindicato acredita que as atividades acadêmicas podem ser comprometidas.

“Há prédios que não foram construídos, laboratórios que não estão prontos e, se forem suspensos os concursos públicos, vai faltar professor para as universidades”, destacou. Com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que busca ampliar o acesso e a permanência na educação superior, os investimentos aumentaram e a demanda por professores em todas as universidades também.

Indignados, professores federais de 23 universidades optaram pela paralisação das atividades. Também decretaram greve os técnico-administrativos da Ufal. A categoria pede concurso público, reajuste salarial de 27,03%, implantação de data-base, mais democracia nos campi, melhores condições de trabalho, entre outras reivindicações.


ESTUDANTES REVOLTADOS

Conforme documento disponível no site da Ufal, o primeiro semestre letivo deste ano iria até 17 de julho e o segundo semestre iniciaria em 10 de agosto. Com a greve, o calendário fica indefinido. Mas o movimento grevista vai impactar, além da vida de estudantes regulares, a de quem ainda vai ingressar na universidade.

É que com o atraso na conclusão do calendário do primeiro semestre, os novos alunos terão que aguardar o retorno das atividades e a reposição de aulas para poder iniciar sua vida acadêmica.O segundo semestre também vai sofrer modificação, já que existe uma carga horária mínima de aulas que a universidade deve oferecer aos alunos. E assim, o ano letivo só pode ser concluído quando essa carga é atingida. 

Para o estudante de Engenharia Civil da Ufal, Diego Lima, que enfrenta a segunda greve, a paralisação em final de semestre vai prejudicar os alunos. “Em 2012, assim que a greve acabou, a gente tinha prova toda semana para regulamentar o calendário e isso foi péssimo para nosso aprendizado”, criticou Diego ao acrescentar que atrapalhou bastante sua rotina de estudo, além do que muitos conteúdos foram atropelados, devido ao tempo perdido.

Quem também enfrenta a segunda greve é Anne Caroline Albuquerque, que pretende concluir o curso de Engenharia Civil no final de 2016. De acordo com a universitária, a paralisação é péssima porque vai atrapalhar sua vida acadêmica, além de mudar a rotina e dinâmica de estudo. “Como pretendo enfrentar um mestrado, a greve pode fazer com que eu perca o prazo de inscrição e isso é muito ruim.

Além do que, vai atropelar muita coisa para poder concluir o período letivo”, avaliou Anne.E o que dizer de quem passou no exame seletivo e está ansioso para começar a vida acadêmica? Revoltado. Assim disse estar João Carlos que irá ingressar na universidade no segundo semestre. Segundo ele, a incerteza de quando vai iniciar o período letivo é revoltante. “Entrar na Ufal é um sonho e ver esse sonho adiado por conta de uma greve nos deixa frustrado e incrédulo com essa política educacional”, criticou o futuro universitário.


PARALISAÇÃO NACIONAL 

Esta sexta-feira, 29, foi escolhida como Dia Nacional de Paralisação, organizado pela CSP-Conlutas e outras centrais sindicais para lutar contra a terceirização e os demais projetos que retiram direitos dos trabalhadores.  A orientação é que entidades e movimentos filiados organizem plenárias e assembleias com as bases para conseguir máxima adesão dos trabalhadores.Os eixos da paralisação foram definidos: contra o PL da Terceirização, contra as Medidas Provisórias 664 e 665 e o ajuste fiscal, e em defesa dos direitos e da democracia.

Por: Redação 

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