Insegurança compromete qualidade e aumenta custo de vida dos alagoanos

IDHM de Alagoas cresce 33,97%, mas estado ocupa últimas posições no ranking nacional (Foto: Jonathan Lins/G1)
Foto: Jonathan Lins/G1
Além gerar prejuízos financeiros para o Estado, a violência afeta diretamente a qualidade e o custo de vida da população. Afinal, quanto maior o índice de criminalidade em uma região, maior é a probabilidade do cidadão ser vítima ou conhecer alguém que foi alvo de algum tipo de violência.
Desta forma, à medida que a sensação de insegurança cresce, mudanças de hábitos são impostas à pupulação e influenciam na arquitetura das cidades, fator que pode comprometer até mesmo o cenário econômico e social das localidades e pessoas.
É o caso do fotógrafo André Palmeira, filho do médico Alfredo Vasco, que foi assassinado com um tiro em maio de 2012 durante um assalto na área nobre de Maceió. Palmeira e a família mudaram a rotina após a tragédia.
“A violência tem o custo emocional, que não tem como ser medido, e o financeiro, que é alto. Perder meu pai para a violência mudou a vida da nossa família. Meses após o crime, trocamos a casa onde vivíamos há 30 anos por um apartamento porque acreditamos que assim temos mais segurança. Com isso, foram geradas despesas que antes não tínhamos” expõe Palmeira.

Centenas de pessoas percorreram as ruas do centro pedindo paz. (Foto: Nildo Lopez/TV Gazeta)
Foto: Nildo Lopez/TV Gazeta
Ao falar dos criminosos que atiraram no médico para levar a bicicleta que estava com ele, André Palmeira diz que é difícil acreditar que o pai morreu por conta de um objeto que não custava R$ 100.

“A violência não tem lógica. O rapaz que matou meu pai disse que jogou a bicicleta fora porque ela não valia nada. Não compensava vender. Por outro lado, tirou a vida de um homem que contribuía com a família e a sociedade alagoana. Ele trabalhava como médico, professor, era voluntário em ações sociais e aos 66 anos nem cogitava aposentadoria”, diz.

Entre as mudanças da família, a de comportamento é a mais evidente. “Antes de meu pai ser assassinado, eu fui assaltado duas vezes em restaurantes de Maceió. Crimes que ficaram no passado, ao contrário da dor dessa tragédia que ainda está presente na nossa família. Hoje, evitamos frequentar alguns lugares, estamos sempre atentos e vivendo com a sensação cada vez maior de insegurança”, completa.

Readaptação
Também vítima da violência, a funcionária Isabel Barros Bulhões Pereira trocou a casa onde morava com os pais por um apartamento depois de sofrer um sequestro relâmpago na porta de casa.

Na ocasião, ela chegava em casa enquanto o pai era abordado por homens armados. Eles os mantiveram reféns em um canavial por algumas horas enquanto os sequestradores faziam compras com os cartões de crédito da família.
“Depois de viver 20 anos em uma casa, tivemos que nos mudar às pressas para um apartamento alugado porque não sentíamos mais segurança. Isso foi algo que pesou no planejamento financeiro familiar, mas foi necessário para nos devolver a tranquilidade e qualidade de vida”, conta.
Ao se considerar privilegiada por poder pagar pela mudança de vida em busca de mais segurança, Isabel conta que após o sequestro os pais, já idosos, agora evita sair à noite, e que mesmo de dia a atenção de todos é redobrada.

“Graças a Deus a nossa condição financeira nos permitiu mudar. Algo que nem sempre é possível para quem é vítima da violência. Ainda mais em um estado tão pobre quanto o nosso. No começo houve resistência dos meus pais em trocar a casa por um apartamento. Hoje eles estão adaptados e já percebem o quanto foi necessário, tanto que até mudaram alguns hábitos em prol da segurança”, completa.

Custo da mudança
Responsável pela pesquisa 'Nunca muito custou pouco: o custo da violência no Estado de Alagoas', o sociólogo Fillipi Nascimento contabilizou alguns dos custos privados do fenômeno da violência, já que nem todos os valores  podem ser contabilizados.

Segundo ele, é notável que a violência influência nos hábitos das pessoas e até mesmo na arquitetura das cidades, que ganham elementos e ferramentas de combate à insegurança.

“Hoje, mais do que nunca, as pessoas estão com medo, desprotegidas, percebem o alto grau de impunidade e não confiam mais nas instituições de segurança pública", avalia o sociólogo.

Sobre as mudanças de comportamento, ele elenca: "elas evitam andar com dinheiro ou aumentam o cuidado ao sair e entrar em casa. Também evitam sair à noite e deixam de circular por alguns bairros e ruas da cidade. Tudo isso é preventivo. Assim como a transformação das casas em redutos com muros altos, cercas elétricas, câmeras, alarmes e portões eletrônicos”.

Quanto ao peso da violência para ricos e pobres, Nascimento expõe que os dados são muito consistentes. “A probabilidade de ser assassinado é muito mais elevada nos bairros pobres do que nos bairros ricos. Então, a associação de pobreza à violência é clara. Porém, isso não quer dizer que a população pobre seja mais violenta. Mas sim, que as condições de vida nessas áreas, certamente, são mais condizentes para a violência”, relata.

O sociólogo enfatiza que a renda é determinante na sensação de segurança. “Quem possui uma renda familiar mais alta, tem mais chances de se proteger da violência. Seja se mudando para um lugar mais tranquilo ou contratando equipamentos de segurança. Situação que é adversa aos mais pobres, que na maioria das vezes ficam, de fato, reféns da violência”, conclui.

Por: G1-AL // Waldson Costa

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